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Luthier: Entenda o que faz e como se tornar um

Entenda o que um luthier faz e porque ele é um grande aliado do instrumentista. Saiba como se tornar um luthier e quais são os melhores profissionais dessa área.
Luthier

Se você toca e possui um instrumento de cordas como guitarra, violão ou baixo, em algum momento perceberá que a tocabilidade, a afinação e o som podem ficar comprometidos com o passar do tempo.

Por que isso ocorre? Conforme você vai usando o seu instrumento, a tensão das cordas sobre o braço de madeira pode empená-lo, os trastes se desgastam, os captadores, os parafusos e a parte elétrica enferrujam. A ação do tempo e a forma como você guarda o seu intrumento também contribuem para tirá-lo do estado ideal.

E para ter seu instrumento restaurado e reparado regularmente você vai precisar de um profissional treinado, com habilidades de um artesão, conhecido como luthier.

Neste artigo você vai ler:

O que é um luthier?

A palavra vem do francês luth, alaúde em português, que é um instrumento de cordas que teve ampla difusão na Europa desde a Idade Média até o período Barroco. Os artesãos que construiam o alaúde eram chamados de luthier.

Atualmente, esses profissionais trabalham com quaisquer instrumentos de cordas como guitarras, violinos, cavaquinhos, ukuleles, baixos e todos os modelos de violão.

Um luthier é um profissional altamente treinado, especializado na construção e manutenção de instrumentos de cordas. Essas pessoas passam anos estudando marcenaria, elétrica e construção de instrumentos.  

Um bom luthier é o “melhor amigo” de um músico, mantendo seu instrumento de cordas em excelentes condições de tocar durante toda sua vida útil.

O que faz um luthier?

Podemos separar as atividades do luthier em dois grandes grupos: construção de instrumentos do zero e conserto de instrumentos danificados.

A primeira atividade é muito relevante, pois por trás de todas as melhores marcas de violão e dos mais relevantes fabricantes de guitarra, existe um masterbuilder ou luthier. Empresas como Fender, Gibson e PRS foram fundadas por luthiers e têm diversos deles em seu time para criar novos modelos e manter o padrão de qualidade dos modelos já existentes.

Para performar a segunda atividade, a manutenção ou conserto do seu instrumento, o luthier vai realizar as tarefas listadas abaixo:

Checa a condição geral e integridade do instrumento

Existem danos ou rachaduras na madeira? Essas avarias, as vezes, são inevitáveis ​​na vida de todo instrumento de cordas e caso ocorram, é necessário um reparo imediato. Assim, se seu instrumento estiver com o corpo ou braço danificados, não o deixe dessa maneira. Procure um luthier que possa restaurá-lo.

Analisa a escala 

A escala, aquela parte do braço que os dedos tocam, está lisa e bem moldada? Com o passar do tempo, o movimento das mãos e das cordas levará a um desgaste na escala que pode ser remediado e restaurado pelo luthier. Isso deixará o instrumento mais confortável e responsivo.

Regula o braço 

O ajuste correto do braço é essencial para qualquer tipo de guitarra ou modelo de baixo, fazendo com que as cordas não tratejem e que a afinação permaneça correta ao logo de todo o braço. Infelizmente, alguns guitarristas decidem mexer intuitivamente no parafuso do braço, e não conseguuem obter os resultados pretendidos.

Inspeciona a ponte 

A ponte do instrumento está saudável e bem posicionada? As cordas estão corretas? Caso contrário, a ponte pode exigir algum ajuste ou até mesmo uma substituição.

Faz a regulagem e manutenção dos captadores

A altura dos captadores em relação às cordas, vai mudar o volume de captação e a qualidade do som emitido pelo seu intrumento. Se houver sujeira e ferrugem nos captadores, o luthier também ficará responsavel pela manutençao dessa parte do instrumento.

Inspeciona a parte elétrica

Caso o seu instrumento apresente problemas nos potenciometros de volume e tom, ou mau contato no jack (item onde pluga-se o cabo para conectá-lo a um aplificador), o luthier vai realizar a troca ou os ajustes necessários das peças para que seu intrumento volte a funcionar como novo.

Verifica a condição das tarraxas

As tarraxas são um componente importantíssimo do instrumento, pois estão diretamente ligadas a sua afinação. Com o tempo e o uso constante, podem perder a precisão. O luthier determinará quando elas precisam ser reparados ou trocados.

Pinta partes danificadas ou o instrumento inteiro

O luthier é um artesão e está capacitado para reparar partes da pintura do seu instrumento que estejam danificadas ou, até mesmo, para refazer toda a pintura da sua guitarra ou baixo, caso queira personalizá-lo.

Troca as cordas

As cordas se desgastam com muita rapidez. Sempre que seu instrumento fizer um pit-stop no luthier, é hora de trocar as cordas, também. Aproveitando que o profissional vai precisar retirá-las para poder mexer no seu instrumento.

Quando levar o instrumento a um luthier?

Para a grande maioria dos guitarristas e baixistas, o instrumento é quase como um bicho de estimação. Então, você naturalmente vai querer garantir que ele permaneça nas melhores condições possíveis.

Tenha em mente que uma manutenção completa no luthier não é barata. Então, o ideal é somente visitar o luthier quando houver a necessidade. 

Aqui vão alguns pontos que você deve levar em conta para saber quando levar o seu instrumento para uma manutenção:

  • Quantas horas você realmente passa tocando por dia
  • Você está praticando em seu quarto ou levando sua guitarra para shows
  • Como você cuida do seu instrumento

Tendo esses itens em vista, o que é recomendado para a maioria dos músicos que praticam mais ou menos uma hora por dia e fazem shows com instrumentos de médio ou alto nível, é que façam um setup a cada 6-8 meses.

Se esse não é o seu caso, e você pratica com menos intensidade e realiza a limpeza do seu instrumento com regularidade, não tem porque levá-lo para manutenção mais de uma vez por ano.

Agora, se o seu instrumento estiver trastejando, apresentando problemas elétricos e não segurar a afinaçao, é hora de marcar uma visita ao seu luthier.

Como se tornar um luthier?

Se você tem vontade de realizar reparos no seu próprio instrumento ou, até mesmo, passar a prestar esse serviço para terceiros, existem opçoes online e presenciais para adquirir o conhecimento necessário para se tornar um luthier.

Perfil do aspirante a luthier

Não existe uma idade ideal para desenvolver as habilidades de luthier. Se você curte e quer realizar uma gratificante atividade manual, aprender a luteria pode ser indicado pra você.

Saiba que para ser um exímio luthier, você tem que ter vontade de trabalhar com as mãos e ser fascinado por madeira e componentes elétricos dos instrumentos. Essas são as principais características da atividade. 

Além disso, é preciso ter paciência e ser atento a detalhes para atingir a excelência no ofício. Tocar instrumentos e adorar música não é obrigatório, mas ajuda bastante.

Curso online de luthieria

O curso Luthieria do Zero é uma excelente opção pra quem quer aprender no próprio passo e sem sair de casa. Ele vai te ensinar a fazer manutenções e regulagens em seu próprio instrumento, ou iniciar uma carreira de Luthier.

O curso é ministrado por Matheus Borges, formado em Lutheria pela B&H Luthieria como Guitar Tech para a construção de instrumentos sólidos e instrumentos acústicos. Ele também é formado pelo SENAI em pintura e atua como Luthier desde 2016.

Você vai aprender todas as etapas de manutenção e conservação de instrumentos elétricos e acústicos. A didática é direta, objetiva e toda ela voltada para aplicação do seu conteúdo. As dúvidas são respondidas rapidamente e com propriedade, a qualidade dos vídeos, do áudio, iluminação e cenário são excelentes. 

Curso universitário de luteria

Se você quer mergulhar ainda mais fundo no assunto e fazer um curso de graduação em luteria, a UFPR oferece o Curso Superior de Tecnologia em Luteria.

Este é um curso presencial, e está amparado legalmente na LDB nº 9.394/1996; Parecer CNE/CES 436/2001; Resolução CNE/CP 3/2002; Decreto 5154/04.

O curso funciona em tempo integral e tem carga horária mínima de 1800 horas-aula, que pode ser integralizada em 6 semestres (tempo mínimo) ou 10 semestres (tempo máximo).

Luthiers profissionais: Os melhores do Brasil

Marcio Zaganin

Marcio Zaganin é um dos mais respeitados luhiers do Brasil. Ele iniciou no ofício em uma pequena fábrica em São Paulo em 1989. 

Apenas 4 anos depois, em paralelo a realizar restaurações de intrumentos vintage, começou a produzir instrumentos de marca própria, os M. Zaganin, que chegaram a ser usados por nomes como Lulu Santos e Frejat.

Em 2004, fundou com o empresário Ney Nakamura, a marca N. Zaganin. Com mais recursos que na fábrica anterior, passou a ter como clientes grandes artistas como Djavan, Gilberto Gil, Lenine e Champignon.

Em 2006 assumiu o desenvolvimento de produtos e a coordenação de produção de todos os instrumentos da marca Tagima, hoje uma das marcas de instrumentos mais confiáveis do Brasil, cuidando da produção feita no Brasil e no exterior. A partir daí passou a atender os endorsers da marca como Kiki Loureiro, Eduardo Ardanuy, Arthur Maia, entre outros.

Em tempo: A Tagima se destaca por fazer violões excelentes a preços acessíveis, guitarras de altíssima qualidade que cabem nos orçamentos mais apertados, além de baixos sensacionais de baixo custo.

Ivan Freitas

Ivan Freitas iniciou na profissão de luthier muito cedo, com 17 anos, ainda no final dos anos 80. Com o passar dos anos, ganhou notoriedade e passou a regular guitarras e violões de artistas como Eduardo Ardanuy, Kiko Loureiro, Chitãozinho & Chororó, Titãs e Capital Inicial. Chegando a trabalhar em mais de 700 guitarras por ano. 

Curiosamente, o que o levou a querer fabricar instrumentos de ponta, foi ter se deparado com uma Tagima Telecaster que o deixou impressionado com a qualidade que um instrumento nacional tinha atingido.

Nos anos 90, fundou a Music Maker, como o masterbuilder da marca, sua missão é criar instrumentos com o máximo de qualidade e excelência. Já produziu cerca de dois mil instrumentos e suas guitarras já foram testadas por artistas de primeira linha como Mateus Asato.

Luthiers profissionais: Os melhores do mundo

Leo Fender

Clarence Leonidas Fender, ficou mais conhecido pelo seu sobrenome que é sinonimo de instrumento de qualidade. 

Ainda adolescente, na Califórnia, mexia em rádios como passa-tempo o que acabou levando-o a manipular amplificadores e guitarras.

Tinha o sonho de fabricar guitarras de madeira maciça e em 1948 lançou o modelo Broadcaster, que depois mudou de nome para Telecaster. Ele foi o responsável por introduzir o primeiro baixo elétrico, o Precision Bass, ao mercado americano em 1951. E em 54, lançou a Stratocaster, talvez a guitarra mais popular do mundo, eternizada por guitar heores como Jimi Hendrix e Eric Clapton.

Além de ter sido um artesão de instrumentos musicais, Leo era na essência um empreendedor, fundou marcas que são referência no mundo dos instrumentos musicais, a Fender e a Music Man. Após vender a Fender, ainda montou uma terceira empresa de instrumentos, a G&L Guitars.

Les Paul

Lester William Polsfuss, mais conhecido como Les Paul, iniciou sua carreira como músico profissional aos 13 anos. Mas o que o deixou mais famoso foram suas habilidades como luthier. Começou fazendo suas próprias guitarras e revolucionou o mundo da música construindo uma das primeiras guitarras de corpo sólido do mundo, a Log, que mais tarde se transformaria na Gibson Les Paul.

Suas guitarras foram e são usadas pelos nomes mais conhecidos do Rock n’ Roll como Slash, Jimmy Page, Eric Clapton, Zakk Wylde, Ace Frehley, Joe Perry e Neil Young.

Suas habilidades não paravam apenas na construção de guitarras, Les Paul também foi o inventor da gravação multicanal, que passou a ser usada pela Capitol records em 1948 e posteriormente por todas as gravadoras e estúdios do mundo.

Paul Reed Smith

Paul Reed Smith é um master luthier americano e fundador da PRS Guitars.

Sua primeira guitarra foi construída como um desafio proposto por seu professor de música da faculdade em troca de alguns créditos. Ele tirou nota máxima na tarefa e decidiu perseguir seu sonho de fazer guitarras para ganhar a vida.

No começo era tudo muito difícil, Paul ia a inúmeros shows para tentar fazer amizade com roadies na intenção de depois apresentar suas guitarras para as bandas. De cada dez tentativas que fez, conseguiu vender 1 guitarra.

Mas o esforço valeu a pena! Carlos Santana, Al Di Meola e Howard Leese foram alguns guitarristas que aceitaram tocar com a PRS lá no começo.

Conhecido por sempre buscar a perfeição de seus intrumentos, hoje a PRS tem músicos como John Mayer e Carlos Santana como seus embaixadores.

John Suhr

John Suhr iniciou na profissão de luthier numa pequena loja chamada Rudy’s Music Stop, em Nova York, fazendo consertos de guitarras. Ele começou a construir guitarras em 1974 e criou a primeira Suhr Custom em 1984. Em parceria com Rudy Pensa, começou a vender guitarras sob a marca Pensa-Suhr, e o modelo de assinatura que eles construíram para o ex-vocalista do Dire Straits, Mark Knopfler, é talvez o mais famoso deles.

Entre 1991-1994, John Suhr construiu cerca de 50 guitarras customizadas e se concentrou principalmente na construção de amplificadores. De 1995 a 1997, trabalhou como Master Builder Sênior na Fender’s Custom Shop. Em 1997, Suhr deixou a Fender para formar sua própria empresa.

Suhr tem criado instrumentos de excelência para os melhores músicos do mundo. Inúmeras lendas da música como Mark Knofler e Scott Henderson confiam na experiência de John para construir suas guitarras..

Ola Strandberg

Ola Strandberg começou a atuar como luthier em meados da década de 80. Ele começou a ganhar ainda mais reconhecimento na área quando lançou o Ergonomic Guitar System e patenteou o braço de guitara EndurNeck™

Atualmente, Ola está a frente das guitarras .strandberg, com componentes projetados com materiais de alto desempenho para eliminar todas as perdas potenciais de energia na vibração das cordas. Sua mais icônica criação é a guitarra Boden, sem mão.

Grover Jackson

Grover Jackson começou a atuar na arte da luteria em 1973. Após ganhar mais experiência, em 1978, começou a trabalhar na oficina de consertos de guitarras de Wayne Charvel. Essa passagem profissional foi responsável por mudar a vida dele pra sempre. Como a loja de Charvel estava quase falida, Jackson comprou sua participação, assumiu o controle do negócio e mudou o nome da marca para Jackson, que acabou ficando muito famosa com o modelo do guitarrista Randy Rhoads.

A carreira profissional de Grover Jackson sempre passou por mudanças rápidas. Depois de vender a sua marca para uma empresa japonesa, ele trabalhou para a Washburn USA em Chicago, de 1993 a 1996. Logo em seguida, passou a administrar a fábrica e supervisionar os projetos de guitarras para a Rickenbacker, de 1996 a 1999.

Antes de terminar…

As melhores guitarras do mundo foram concebidas por luthiers que mudaram o ruma indústria de instrumentos. Dá uma lida no nosso artigo sobre o assunto.

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